sexta-feira, 18 de março de 2016

Alfabeto Ogham

Continuando as postagens sobre os Celtas (e sua religião),  o tema de hoje é o Alfabeto Ogham, conhecido também como o alfabeto das árvores, servindo para adivinhações e magias. Era utilizado, na maioria das vezes, como forma de comunicação pelos druidas e em inscrições de lugares sagrados ou cemitérios. Seu conhecimento era transmitido de geração em geração. Segundo a crença celta, o alfabeto era mágico e foi criado pelo deus irlandês Ogma. Cada letra do Ogham representava uma árvore, que era sagrada e habitada por deuses e deusas. 
            
O Ogham era escrito em cima de uma linha horizontal, da esquerda para a direita, de baixo para cima e formado por 20 letras que são alocadas em cinco grupos de quatro sons, chamados Beithe, Huath, Muin, Ailm e Koad.

As letras são chamadas de Fedha (madeira), e cada um dos grupos é chamado Aicme (raça). Cada grupo é conhecido pela primeira letra. O alfabeto não possui caracteres separados, somente grupos de cinco sons, que são representados por linhas, de um à cinco), traçadas de diversas formas. Originalmente continha apenas quatro grupos, e posteriormente foram adicionados mais quatro símbolos, chamados de forfeda.
Abaixo, o significado de cada letra:




segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Wicca - A religião da Grande Mãe

A Wicca tornou-se popular como uma vertente da Antiga Religião celta e trouxe todos os costumes pagãos para os dias de hoje. É a sucessora de uma das primeiras religiões da humanidade e suas práticas remontam à era Neolítica.

Por ser uma religião matrifocal, onde o foco era na figura e natureza femininas, atraiu muitos seguidores que não estavam contentes com as religiões atuais e com o Deus punidor e cruel da Igreja Católica. A religião tornou-se popular após o ocultista Gerard Gardner propagá-la mundialmente. Um dos lemas da religião, que pode também ser encarada como filosofia é “Faça o que desejar sem a ninguém prejudicar”, pois os wiccanos acreditam na Lei da Causa e Efeito, onde todas as coisas, sejam boas ou ruins, voltam com poder multiplicado por três. Seus seguidores são denominados bruxos, wiccanos, wiccanianos e neo-pagãos.

Representação da união do masculino e feminino, a Deusa e o Deus

A crença na Grande Mãe provedora de tudo e todos faz parte dessa religião politeísta, bem como um universo de seres mitológicos (duendes, gnomos, fadas, silfos e ondinas) pertencentes aos quatro elementos da natureza: fogo, água, ar e terra.

A palavra “wicca” vem do inglês arcaico wicce ou do saxão wich que significa “girar, dobrar ou moldar”. A religião busca recuperar o Sagrado Feminino e o papel das mulheres na religião como Sacerdotisas da Grande Mãe. Embora seja uma doutrina com foco na imagem feminina, prega igualdade entre homens e mulheres.

Os seguidores da Wicca acreditam no conceito da tríplice Deusa, em seu aspecto de Donzela, Mãe e Anciã, as fases da vida de uma mulher. A Donzela representa os impulsos, os começos e relaciona-se à Lua Crescente. A Mãe é a doadora da vida, grande nutridora e associa-se à Lua Cheia, e a Anciã é a detentora da sabedoria, grande conhecedora e transformadora, associando-se à Lua Minguante. É provável que o conceito cristão de Pai, Filho e Espírito Santo tenha partido do conceito feminino celta. Os wiccanianos também acreditam no Deus Cornífero, consorte da Deusa, mais conhecido como Cernunnos, deus da Natureza e a força masculina. Depois da fundação da Igreja Católica, o deus de chifres pagão passou a ser visto como o Diabo que conhecemos hoje. Cernunnos representa também o Sol, enquanto a Deusa Mãe, a Lua.Os seguidores da religião, algumas vezes, se reúnem para estudar ou praticar rituais juntos, e esse grupo é conhecido como Coven.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

A religiosidade Celta

O povo celta, assim como toda civilização, tinha suas crenças, sempre baseadas no espírito da natureza, a Grande Mãe, protetora de tudo e todos, conhecida pela triplicidade Donzela, Mãe e Anciã. Possivelmente a associação cristã de "Pai, Filho e Espírito Santo" tenha partido dessa definição celta. Também acreditavam na reencarnação e no conceito de vida após a morte, pois tudo era visto como um processo cíclico de vida, morte e renascimento.  Por esse motivo, os celtas podem ser considerados precursores do kardecismo como conhecemos hoje, de acordo com pesquisas de historiadores, pois são a única civilização antiga que acreditava nesse conceito.  A religião celta é uma das mais antigas do mundo, conhecida também por seus praticantes como a Antiga Religião (Old Religion).


O princípio feminino

Os celtas viam na mulher uma imagem de sacralidade pois, naquela época, os homens que sangravam em batalha geralmente morriam e as mulheres, que sangravam todo mês, continuavam vivas e fortes. Como eles não sabiam a origem do sangramento e muito menos o que era menstruação, viam a mulher como um ser sagrado. O respeito ao feminino era algo muito presente e natural.

Os mistérios da procriação também eram um mito. Os homens ainda não tinham associado o ato sexual à gravidez e por isso acreditavam que a concepção era algo recebido diretamente dos Deuses, que eram responsáveis pelas estações do ano e controle da Natureza.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Civilização Celta


Quando falamos em civilização Celta, logo nos vêm à cabeça lendas medievais, cavaleiros, Rei Arthur, fadas e bruxas. Os celtas, sem dúvida, foram um povo mágico por natureza, deixando muitos ensinamentos e sabedoria. Ainda hoje existem muitos mistérios e segredos sobre a origem e desaparecimento dessa sociedade.


A civilização Celta

A palavra “celta” vem do grego keltoi, que era uma expressão usada para identificar os povos considerados “bárbaros”, aqueles que não eram gregos ou romanos. Como a origem da civilização ainda é incerta presume-se que surgiu quando tribos indo-européias migraram do Vale do Danúbio para o leste da Ásia, sul do Mar Mediterrâneo e norte da Escandinávia.

Os celtas, assim como toda civilização pré-cristã, eram pagãos (palavra que significa “homem que vive no campo”) e veneravam a figura feminina denominada “Deusa Mãe”. Consideravam-se uma espécie de guardiões de todas as criaturas da natureza e viam o conceito de propriedade diferentemente de como é visto na atualidade. Acreditavam que suas terras eram sagradas e que os bens materiais eram algo “emprestado” da grande Mãe. Não admitiam o desrespeito por suas terras e por toda a criação da grande Deusa e poderiam lutar até a morte para preservar sua honra. Seus ensinamentos eram transmitidos através da palavra, de geração em geração e não possuíam escritos. Dessa forma, quase tudo o que se sabe sobre a civilização provém dos escritores gregos e romanos que, muitas vezes, não os retratavam como realmente eram.

A civilização celta ocupou grande parte do continente europeu a partir de 800 a.C., expandindo-se para a Grã-Bretanha, Irlanda, País de Gales e demais ilhas. Eram notáveis artesãos e produziam suas próprias armas e utensílios, ganhando também a fama de metalúrgicos. Não possuíam grandes hierarquias, o rei/rainha era uma pessoa escolhida e considerada por todos como o (a) protetor (a) do clã. Por acreditarem na imortalidade da alma, não tinham medo da morte e, por isso, seus homens e mulheres eram grandes guerreiros. Partiam para a batalha cantando e honrando os deuses, sempre com os corpos pintados com símbolos e desenhos. Tinham grande apreço pela amizade, e a partir disso surgiu a expressão Anam Cara, que significa amigo da alma.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Entrevista Lady Mirian Black


“Nós bruxos não barganhamos com nossos deuses como fazem os cristãos – promessas – ‘eu te dou isso e você me dá aquilo’ , porque isso é ridículo!”


LADY MIRIAN BLACK, PRATICANTE DAS CRENÇAS CELTAS E AUTORA DO LIVRO “BRUXAS”, VIVE DE ACORDO COM A ANTIGA FÉ, HERDADA NATURALMENTE DE SUA MÃE, TRILHANDO UM CAMINHO DE LUZ E SABEDORIA

 

Mirian Black (41), neta de escoceses e italianos e natural de São Caetano do Sul, grande São Paulo, pratica magia celta desde que se conhece por gente. Sem encarar as práticas celtas como religião e sim como um conjunto de crenças que permite ao adepto liberdade para praticar Magia, vive de acordo com a Antiga Fé, participando, inclusive, de eventos relacionados com a cultura pagã, tais como a Convenção de Magos e Bruxos de Paranapiacaba, que acontece anualmente, e feiras esotéricas.

Pesquisadora e conhecedora da civilização celta, Mirian também é escritora e autora do livro “Bruxas”, lançado em 2012 pela editora Ícone, que aborda temas como Rituais, práticas da magia celta, civilização celta e alfabeto Ogham. Formada em direito, onde atua na área jurídica empresarial, é casada e mãe de dois filhos, que também são ensinados a viver de acordo com as práticas celtas, sempre com respeito à Natureza e a todos os seres invisíveis que ali habitam. Nessa entrevista, Mirian conta um pouco sobre suas crenças, costumes e seu livro “Bruxas”.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

As Aventuras de Merlin

"Em uma terra de mitos, em um tempo de magia, o destino de um grande reino está sob os ombros de um jovem rapaz.. Seu nome é Merlin..."

O assunto de hoje é sobre mais uma série que me deixou viciada (e apaixonada): As Aventuras de Merlin. Sabe quando você está de bobeira olhando os filmes na Netflix e se depara com uma série que você pensa: "ah, vou ver o primeiro episódio só pra ver como é", e no final acaba vendo todas as temporadas? Pois é, foi isso o que aconteceu. Geralmente eu fico caçando séries com temática medieval (já coloquei na minha lista Game Of Thrones - que AINDA não vi - Camelot e The Musketeers), e foi justamente por isso que comecei a assistir essa.


A série conta a história da lenda do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda de um jeito divertido e descontraído, tendo como personagem principal do enredo o jovem bruxo Merlin.

A trama acontece em Camelot, lar do Rei Uther Pendragon e seu filho e príncipe, Arthur Pendragon. Pelas leis de Camelot e a mando do rei, a magia era proibida e quem a praticasse era condenado à morte. Nesse cenário surge Merlin, recém chegado à cidade convidado pelo médico da Corte, Gaius, para trabalhar no Castelo. Lá, ele se depara com um príncipe egocêntrico, do qual tem a infelicidade de virar servo.

Arthur, o príncipe loiro e metido, mas de coração enorme e boa índole (que a gente descobre ao longo da série) também mora com sua irmã de criação, Lady Morgana, que na primeira temporada convence na bondade. No interior do castelo, aprisionado a pedido de Uther, encontra-se o dragão Kilgharrah, amigo de Merlin, que sempre lhe dá conselhos sobre magia e como deve usá-la. Em Camelot também vive Guinevere, ou Gwen, serva de Morgana e futura rainha e esposa de Arthur.