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quinta-feira, 3 de maio de 2018

Credo das Bruxas



" Ouça agora a palavra das Bruxas,
os segredos que na noite escondemos,
Quando a obscuridade era caminho e destino,

e que agora à luz nós trazemos.

Conhecendo a essência profunda,
dos mistérios da ÁGUA e do FOGO,
E da TERRA e do AR que circunda,
Manteve silêncio o nosso povo.

domingo, 3 de dezembro de 2017

As fases da lua e a bruxaria

Desde sempre a lua está ligada ao misticismo e ao aspecto feminino. Antigamente, com os povos pagãos, era comum associar os ciclos lunares com o ciclo menstrual das mulheres, por conta da duração dos dois (aproximadamente 28 dias). Em várias línguas as palavras menstruação e lua são as mesmas ou associadas. Talvez seja a partir daí que a lua começou a ser representada e vista como o símbolo feminino e tudo o que está ligado ao gênero, como a intuição, as emoções e a face feminina da divindade. Naquela época, como não havia calendário, quando as mulheres ficavam grávidas, elas contavam a data de nascimento do bebê através das luas. Por conta desses fatores, e de muitos outros (como a influência nas colheitas, maré e crescimento das plantas), a aproximação do povo antigo com a lua era muito grande.

Com o avanço das grandes cidades e a cristianização dos povos pagãos, o contato com a natureza passou para segundo plano e, consequentemente, as crenças que o povo antigo mantinha acabaram se perdendo no meio do caminho. Isso explica porque nossa conexão com a Mãe Natureza  é tão superficial (bem vemos como o ser humano está destruindo tudo). Porém, alguns costumes prevaleceram até os dias atuais. Você deve ter ouvido falar que cortar o cabelo na Lua Minguante é ruim, porque deixa o cabelo 'sem vida'. Na minha família, por exemplo, sempre foi assim, e eu sigo esse costume até hoje. Não sei dizer de onde exatamente surgiu essa crença, é uma tradição que geralmente é passada oralmente por nossas avós.


quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Esbat - celebrando a lua com a Deusa

Grande Mãe Lua brilha sobre nós
Grande Mãe Lua brilha sobre nós
Brilha, brilha, plena e cheia
Grande Mãe Lua brilha sobre nós
Antigos mistérios
Sua dança me revela
Antigos mistérios
Da Mãe Anciã e Donzela
Antigos mistérios
Seu canto é sedução
Antigos mistérios
Chamam o meu coração

A cada 28 dias os celtas comemoravam o Esbat, uma celebração totalmente dedicada à Lua Cheia e à Deusa Mãe, suas fases e faces e seu aspecto feminino. Antigamente era muito comum que os povos pagãos, não só os celtas, reverenciassem a lua, que ainda hoje é ligada ao misticismo e à magia.

O Esbat, para quem segue os antigos costumes pagãos celtas, ou para quem segue a Wicca, seja como religião ou filosofia, costuma ser celebrado uma vez por mês, com mais frequência que os sabbats, que são celebrações da roda do ano.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Beltane - o sabbat celta onde celebra-se a fertilidade

Hoje, para os pagãos e neopagãos que seguem a Roda Norte e algumas religiões celtas, como a Wicca, é dia de comemorar o sabbat Beltane, onde celebra-se a fertilidade e união da Deusa e do Deus. Esse sabbat é comemorado no dia 01 de maio na Roda Norte e no dia 31 de Outubro na Roda Sul. Beltane é um dos quatro grandes sabbats celtas, juntamente com Samhain, Imbolc e Lammas/Lughnasadh.

Também é um período onde comemora-se o fim do inverno e a chegada do Verão (lembrando que no Hemisfério Norte as estações são diferentes, portanto, em Maio, diferentemente daqui, o Sol começa a ficar cada vez mais forte para a chegada do Verão em Junho/Julho. É por esse motivo que comemoramos esse sabbat aqui em Outubro, que para nós já é quase o começo do Verão. Embora 31 de Outubro seja mundialmente conhecido como Halloween, pelo calendário das bruxas é dia de Beltane e não de Samhain (o sabbat do dia 31 de outubro). 


Celebração de Beltane

Nessa época, o Deus e a Deusa estão unidos comemorando seu amor que é intenso, e isso se reflete na chegada lenta do Verão. Toda a terra fica iluminada com o amor dos deuses. É o período também da união do masculino e feminino, da criação, a união que traz a vida. 

terça-feira, 4 de abril de 2017

Mabon - O equinócio de Outono e o dia de Ação de Graças no paganismo

Hoje vou falar um pouco sobre o sabbat Mabon, ou Equinócio de Outono, celebrado pelos praticantes de algumas crenças celtas, como a Wicca, em 22 de setembro pela Roda Norte e por volta de 20 de março pela Roda Sul.  Mabon é um dos três sabbats da colheita, e ocorre quando dia e noite tem a mesma duração (por isso é chamado de Equinócio).



É um período para celebrar a chegada do Outono, quando o deus Sol se prepara para partir e a Deusa, grávida, prepara-se para o nascimento do Deus em Yule. Mabon é considerado como o Dia de Ação de Graças no paganismo, onde todos agradecem aos deuses pela boa colheita durante o ano. Após esse sabbat, os dias começam a ficar mais curtos e as noites mais longas.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Lughnasadh: o festival pagão para agradecer nossas "colheitas"

Hoje a postagem vai ser sobre o sabbat Lughnasadh, conhecido também como Lammas, onde os praticantes da Antiga Religião celta e vertentes (como a Wicca), comemoram o chamado "Festival da primeira colheita". Esse sabbat é comemorado pela Roda Sul no dia 02 de fevereiro e no dia 01 de Agosto na Roda Norte.




Lughnasadh é um tempo de alegria e festividades, onde os antigos celtas comemoravam a primeira colheita e agradeciam aos deuses pela fartura. É bom lembrar que antigamente não existia tanta comida industrializada e muito menos mercado, então a sobrevivência deles dependia também de uma boa colheita nessa época do ano, motivo pelo qual eles pediam bênçãos aos deuses e agradeciam com esse sabbat. Neste dia o deus do Sol Lugh era homenageado.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Ostara: O equinócio de Primavera e antigo sabbat que deu origem à Páscoa cristã

Hoje vou falar um pouco sobre o Ostara, conhecido também como Eostre ou Equinócio de Primavera, um Sabbat onde é celebrado o equilíbrio entre o Deus e a Deusa e a fertilidade. Ostara é comemorado por volta do dia 20/21 de Março no hemisfério Norte e 21/22 de Setembro no hemisfério Sul. Para os pagãos que seguem a roda celta, como a Wicca, é um dia de celebrações e festividades e uma data de equilíbrio e reflexão, onde devemos repensar nossas atitudes e desejar fertilidade em nossas vidas (no sentido de prosperidade, amor, saúde, etc.).


Esse Sabbat é comemorado por ser o primeiro dia da Primavera, quando o dia e noite têm a mesma duração e quando o Sol se encontra no centro da Linha do Equador. Por conta disso, o Inverno e a época fria do ano vão dando lugar ao Sol que está aos poucos se fortalecendo e banhando a Terra com seu calor.  É o despertar da terra depois de um longo inverno e começo de uma época onde as pessoas  ficam mais ativas e passam mais tempo ao ar livre. O Deus é representado como o Sol, que está cada vez mais forte, enquanto a Deusa dá lugar a uma jovem donzela cheia de vida. É um ritual de fertilidade e, por conta disso, um dos símbolos desse Sabbat é o coelho, por ser conhecido como um animal muito fértil e por sua gestação demorar cerca de 28 dias, mesmo período do ciclo lunar. Outro símbolo dessa celebração é o ovo, que por si só carrega o simbolismo da geração da vida.


terça-feira, 21 de junho de 2016

Yule - O Solstício de Inverno que deu lugar ao Natal cristão

Hoje vou falar um pouco sobre o Yule, ou Solstício de Inverno, um Sabbat onde é comemorado o início dessa estação, simbolizando morte e renascimento. O Yule é comemorado por volta do dia 20/21 de Junho no hemisfério Sul e no dia 21 de dezembro no hemisfério Norte. Para os pagãos que seguem a roda celta, principalmente a Wicca, é um dia de festividades.



Em Yule ocorre a noite mais escura e fria do ano. Nesse Sabbat os celtas comemoravam a colheita e faziam uma grande festa. Era costume também confeccionar e trocar presentes, além de enfeitar a casa e as árvores. Os celtas traziam para dentro de suas casas uma árvore para que os espíritos da natureza tivessem um lugar confortável para permanecer durante os dias frios da estação. Esse Sabbat corresponde ao Natal cristão. Nessa época pode-se enfeitar o altar com folhas e frutos secos, juntamente com velas verdes e vermelhas.

Origens do Yule

O Yule era comemorado pelos Celtas no dia 21 de dezembro. Nessa data, era costume as famílias levarem árvores verdes para dentro de suas casas (principalmente pinheiros) e enfeitá-las homenageando os espíritos da natureza. A árvore era então enfeitada com sinos e com um pentagrama na parte de cima. Aos pés da árvore eram deixados presentes para os elementais e espíritos da natureza, com pedidos para que todos se mantivessem vivos e fortes durante o rigoroso inverno.  Era costume também entre os celtas presentear amigos e família com objetos de cunho artesanal, para mostrar a importância dessas pessoas em suas vidas. 

Em Yule comemora-se o nascimento da Criança do Sol, que trará calor e fertilidade à terra e o Deus Cornífero, consorte da Deusa. É tempo também de se recolher junto à família, protegendo-se do frio. Para os celtas, celebrar o Solstício de Inverno era reafirmar a continuação da vida, pedindo aos espíritos da natureza coragem para enfrentar os obstáculos e dificuldades enfrentadas até o início da primavera.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Wicca - A religião da Grande Mãe

A Wicca tornou-se popular como uma vertente da Antiga Religião celta e trouxe todos os costumes pagãos para os dias de hoje. É a sucessora de uma das primeiras religiões da humanidade e suas práticas remontam à era Neolítica.

Por ser uma religião matrifocal, onde o foco era na figura e natureza femininas, atraiu muitos seguidores que não estavam contentes com as religiões atuais e com o Deus punidor e cruel da Igreja Católica. A religião tornou-se popular após o ocultista Gerard Gardner propagá-la mundialmente. Um dos lemas da religião, que pode também ser encarada como filosofia é “Faça o que desejar sem a ninguém prejudicar”, pois os wiccanos acreditam na Lei da Causa e Efeito, onde todas as coisas, sejam boas ou ruins, voltam com poder multiplicado por três. Seus seguidores são denominados bruxos, wiccanos, wiccanianos e neo-pagãos.

Representação da união do masculino e feminino, a Deusa e o Deus

A crença na Grande Mãe provedora de tudo e todos faz parte dessa religião politeísta, bem como um universo de seres mitológicos (duendes, gnomos, fadas, silfos e ondinas) pertencentes aos quatro elementos da natureza: fogo, água, ar e terra.

A palavra “wicca” vem do inglês arcaico wicce ou do saxão wich que significa “girar, dobrar ou moldar”. A religião busca recuperar o Sagrado Feminino e o papel das mulheres na religião como Sacerdotisas da Grande Mãe. Embora seja uma doutrina com foco na imagem feminina, prega igualdade entre homens e mulheres.

Os seguidores da Wicca acreditam no conceito da tríplice Deusa, em seu aspecto de Donzela, Mãe e Anciã, as fases da vida de uma mulher. A Donzela representa os impulsos, os começos e relaciona-se à Lua Crescente. A Mãe é a doadora da vida, grande nutridora e associa-se à Lua Cheia, e a Anciã é a detentora da sabedoria, grande conhecedora e transformadora, associando-se à Lua Minguante. É provável que o conceito cristão de Pai, Filho e Espírito Santo tenha partido do conceito feminino celta. Os wiccanianos também acreditam no Deus Cornífero, consorte da Deusa, mais conhecido como Cernunnos, deus da Natureza e a força masculina. Depois da fundação da Igreja Católica, o deus de chifres pagão passou a ser visto como o Diabo que conhecemos hoje. Cernunnos representa também o Sol, enquanto a Deusa Mãe, a Lua.Os seguidores da religião, algumas vezes, se reúnem para estudar ou praticar rituais juntos, e esse grupo é conhecido como Coven.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Entrevista Lady Mirian Black


“Nós bruxos não barganhamos com nossos deuses como fazem os cristãos – promessas – ‘eu te dou isso e você me dá aquilo’ , porque isso é ridículo!”


LADY MIRIAN BLACK, PRATICANTE DAS CRENÇAS CELTAS E AUTORA DO LIVRO “BRUXAS”, VIVE DE ACORDO COM A ANTIGA FÉ, HERDADA NATURALMENTE DE SUA MÃE, TRILHANDO UM CAMINHO DE LUZ E SABEDORIA

 

Mirian Black (41), neta de escoceses e italianos e natural de São Caetano do Sul, grande São Paulo, pratica magia celta desde que se conhece por gente. Sem encarar as práticas celtas como religião e sim como um conjunto de crenças que permite ao adepto liberdade para praticar Magia, vive de acordo com a Antiga Fé, participando, inclusive, de eventos relacionados com a cultura pagã, tais como a Convenção de Magos e Bruxos de Paranapiacaba, que acontece anualmente, e feiras esotéricas.

Pesquisadora e conhecedora da civilização celta, Mirian também é escritora e autora do livro “Bruxas”, lançado em 2012 pela editora Ícone, que aborda temas como Rituais, práticas da magia celta, civilização celta e alfabeto Ogham. Formada em direito, onde atua na área jurídica empresarial, é casada e mãe de dois filhos, que também são ensinados a viver de acordo com as práticas celtas, sempre com respeito à Natureza e a todos os seres invisíveis que ali habitam. Nessa entrevista, Mirian conta um pouco sobre suas crenças, costumes e seu livro “Bruxas”.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Halloween: a grande festa pagã

E hoje, aproveitando o clima de pré-Halloween e a correria de (quase) todo mundo para comprar uma fantasia decente e se jogar na night como se não houvesse amanhã, resolvi esclarecer a dúvida de muitas pessoas que ainda têm certo preconceito com essa data, ou tem medo, ou não sabem ao certo como essas caveiras e caldeirões surgiram.

O Halloween ficou famoso principalmente por ser uma festa tipicamente americana, onde as pessoas se reúnem fantasiadas, geralmente em trajes de bruxas, seres sombrios ou zumbis, para celebrar essa data. Mas o que é e de onde surgiu essa festa?