quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Esbat - celebrando a lua com a Deusa

Grande Mãe Lua brilha sobre nós
Grande Mãe Lua brilha sobre nós
Brilha, brilha, plena e cheia
Grande Mãe Lua brilha sobre nós
Antigos mistérios
Sua dança me revela
Antigos mistérios
Da Mãe Anciã e Donzela
Antigos mistérios
Seu canto é sedução
Antigos mistérios
Chamam o meu coração

A cada 28 dias os celtas comemoravam o Esbat, uma celebração totalmente dedicada à Lua Cheia e à Deusa Mãe, suas fases e faces e seu aspecto feminino. Antigamente era muito comum que os povos pagãos, não só os celtas, reverenciassem a lua, que ainda hoje é ligada ao misticismo e à magia.

O Esbat, para quem segue os antigos costumes pagãos celtas, ou para quem segue a Wicca, seja como religião ou filosofia, costuma ser celebrado uma vez por mês, com mais frequência que os sabbats, que são celebrações da roda do ano.



A Deusa é homenageada e busca-se a conexão com seu aspecto divino de criação e renovação de energias. Os ciclos da lua são iguais à nosso tempo na terra: nascimento (lua nova), crescimento (lua crescente), maturidade (lua cheia) e morte (lua minguante). Talvez seja por isso que a lua sempre despertou curiosidade e é venerada até os dias de hoje. É impossível não se encantar com uma linda lua cheia em uma noite quente e perder alguns minutos olhando para ela.

O Esbat e suas origens 

Os Esbats há muito eram praticados pelos celtas como forma de conexão e homenagem à Deusa Mãe, o aspecto feminino da divindade. É um ritual de saudação, mas que também é dedicado a todas as coisas ocultas, ao misticismo e à vidência. Os povos antigos costumavam viver em harmonia com os ciclos da natureza e do Sol e da Lua, honrando o nascimento e poder do sol, com sua luz e calor, que marcava um novo dia, e da lua que, com o passar do tempo, começou a ser associada ao aspecto feminino e à Deusa, pois seus ciclos se assemelhavam muito com o ciclo menstrual das mulheres. Esses ritos para a lua e para a Deusa são celebrados 13 vezes ao ano, uma vez por mês.



Celebrando o Esbat

Os Esbats são realizados, geralmente, entre as três primeiras noites, quando a lua é mais cheia e poderosa. Antigamente eram praticados ao ar livre, em meio à natureza, mas com o crescimento das cidades, é meio impossível que isso seja feito hoje em dia (pelo menos sem que chame atenção hahahaha). Recomenda-se, então, apenas que a lua seja vista, caso não dê para realizar esse rito ao ar livre. Abra as janelas, deixe a luz da lua te encontrar.

Existem diversos tipos de celebração do Esbat, e cada um pode inventar o seu. Ás vezes, só apreciar a lua durante alguns minutos já é o suficiente para sentir a conexão e troca de energia. Deixo aqui um ritual simples de Esbat e conexão com a Deusa, retirado do livro (que eu uso pra um moooonte de coisa) "Wicca - a religião da deusa", do bruxo Claudiney Prieto.

Material necessário:

* Caldeirão
* Uma vela vermelha
* Cálice com água
* Incensos de rosas

Coloque a vela vermelha dentro do caldeirão, mas não a acenda. Coloque a taça com água sobre seu altar. Acenda os incensos e trace o círculo mágico (caso você não saiba fazer, faça um círculo com sal grosso e peça permissão à divindade para iniciar seus trabalhos de magia). Posicione-se em frente ao altar, eleve suas mãos, e então diga as seguintes palavras:

Que aquela que reina sobre as montanhas, nos bosques, nos lagos e nas florestas, seja saudada!
É aquela, venerada no alto das montanhas a quem saúdo, 
Deusa da fertilidade da terra, das colheitas e da civilização
Aquela que ensina e ajuda os homens a cultivar a terra, Senhora da organização e da lei
É a você que saúdo,
Deusa que caminha pelos campos, que semeia e faz brotar
Protetora e sábia Deusa, altiva e majestosa, Grande Mãe universal
Venha e invada-me com a sua luz, trazendo sabedoria, conhecimento e força para que eu seja capaz de superar os obstáculos e seguir confiante em seu caminho, pois sou sua (seu) filha (o) que retornou a você no amor.
Esteja comigo, dentro deste círculo e derrame suas bênçãos sobre mim
Que assim seja e que assim se faça!

Acenda a vela que está dentro do caldeirão, olhe fixamente para a chama e medite nos propósitos do seu ritual. Pegue o cálice e faça com que a luz seja refletida na água. Quando isso ocorrer, imagine a luz da Lua se expandindo por toda a superfície da água até transbordar o cálice.. Eleve-o aos céus, em direção à Lua, e diga: 

Senhora do arco de prata, banha-me com a sua luz e penetre-me
E que o Seu poder percorra meu corpo e mente, trazendo transformação, iluminação, força e conhecimento.
É a você que louvo, pois é de você que tudo procede e a você tudo retorna.
Você que é chamada por muitos nomes, Você que não tem forma, mas possui muitas faces.
que seu reflexo seja único em nossos corações.
Venha a mim, esteja comigo em pensamentos, atos e magia!

Mentalize a luz da lua descendo sobre você, abaixe lentamente suas mãos e tome um gole da água, estabelecendo seu vínculo e elo com a Deusa. Faça uma libação para a Deusa. Eleve bem alto seus braços em direção à Lua, feche os olhos e mentalize a luz da lua descendo diretamente sobre você. Absorva o poder da Lua, conecte-se com a Deusa e mantenha um diálogo com Ela, deixe-a falar com você. Abra seus ouvidos e sentidos para Ela. Quando sentir que a conexão foi bem-sucedida, abaixe lentamente os braços, cruzando-os sobre o seu peito, braço direito sobre o esquerdo, e faça uma saudação ao Altar e à Deusa.

Estenda suas mãos em direção ao Caldeirão e mentalize uma forte luz que transborda de dentro dele. Comece a elevar suas mãos aos céus, lentamente, mentalizando que essa luz está subindo; eleve suas mãos cada vez mais, elevando o cone de poder, até que não haja mais luz nenhuma no caldeirão. Então projete mentalmente onde você quer que essa luz chegue. Visualize os rostos das pessoas amadas, dos amigos, os seus objetivos e desejos. Essa é a hora de direcionar a energia criada para uma ou mais finalidades específicas. Ao terminar, agradeça aos Deuses e guardiões dos elementos e destrace o círculo.




Próxima postagem: As fases da lua e seus significados.

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