domingo, 11 de dezembro de 2016

Passado e presente se misturam em uma viagem pela Cripta da Catedral da Sé

A Catedral da Sé, muito conhecida por ser um patrimônio histórico e cultural de São Paulo é, sem sombra de dúvida, um dos monumentos mais lindos para se visitar e um dos que mais chamam atenção na cidade. É raro alguém caminhar pela Praça da Sé e não se deparar (ou se encantar) com seu visual arquitetônico. E não é a toa. Com decorações de animais, sinos holandeses e estátuas italianas, não é difícil imaginar o porquê de tanta grandiosidade. O órgão da Catedral, muito famoso por ser tocado nas missas, foi fabricado em Milão, na Itália, pela empresa Balbiani Vegezzi Bossi, e é considerado o maior da América do Sul.

Localizada sobre o Marco Zero da cidade, a Catedral está entre os cinco maiores templos de estilo Neo-Gótico (originado na Inglaterra no século XVIII e que busca recriar a arquitetura de tempos passados) do mundo. Para mim, a Catedral é um dos locais que eu mais gosto em São Paulo (me sinto o próprio Robert Langdon no filme 'O Código da Vinci' toda vez que entro nela hehehe), talvez por eu gostar muito desse tipo de arquitetura.

Quando visitamos a Catedral, ganhamos um folheto explicativo onde as igrejas são descritas como "altas e imponentes. Suas torres pontiagudas se erguem como se fossem atingir as nuvens, induzindo os fiéis a olharem para o alto. A arquitetura segue embasada em um forte simbolismo teológico: as paredes como a base espiritual da igreja, suas pilastras simbolizam os santos e os grandes vitrais fazem a luz entrar em múltiplas cores para representar a presença divina". Tá explicado o porquê de tanta grandiosidade, é proposital.

A cripta da Catedral

Por trás de todo o esplendor da Catedral, existe um local ainda mais surpreendente que poucas pessoas conhecem: A Cripta da Catedral da Sé. Mas o que são Criptas?

Criptas são locais onde estão enterrados padres, bispos e pessoas importantes para a construção do local, cidade, etc., onde a igreja está localizada. Antigamente todas as igrejas possuíam uma, que, por ser subterrânea, era construída primeiro. A Cripta da Sé fica localizada abaixo do altar principal.

Acompanhada da guia Vera Regina Gomes, de 57 anos, sendo dez deles como guia da Catedral, pude visitar a Cripta e conhecer um pouco melhor o local. Construída antes da igreja, a Cripta possui duas entradas laterais bem escondidas. Nela jazem bispos brasileiros, além do Cacique Tibiriçá, que "foi o cacique mais importante da época em São Paulo". Todas as decorações das câmaras mortuárias são feitas em mármore negro com letras e fotos em bronze. Sua inauguração data de 1919, mesmo ano de inauguração da Catedral.



Câmaras mortuárias. Foto: Adriana Vicente

Conhecendo a Cripta

No centro da Cripta, acima de nossas cabeças, encontra-se a cópia do Santo Sudário, de corpo inteiro, feita em tecido. A intenção de ter uma cópia na Cripta é fazer com que os visitantes sintam a emoção de ver um esboço do corpo de Jesus sem precisar sair do país para ver o original. "Quando a cópia chegou, eu pedi para o pessoal colocar bem longe para não estragar". A luz não influencia no desgaste da cópia porque não fica acesa direto. 

Cópia do Santo Sudário. Foto: Adriana Vicente
             
À direita do altar, no local das primeiras câmaras mortuárias, está localizado o suporte móvel onde se colocavam os caixões antigamente, datado de 1700. Estátuas monumentais, como a figura de Jó, feita em mármore de Carrara com escrituras em latim, também estão no local. Cheia de marcas azuladas, a estátua apresenta atos visíveis de vandalismo: "Quando a Cripta era aberta aos visitantes, vieram muitos vândalos e começaram a pichar as estátuas, por isso a Cripta foi fechada e só entram visitantes mediante acompanhamento do guia", explica Vera. O vandalismo era tanto que algumas pessoas chegaram também a pichar e arrancar as letras dos túmulos de alguns bispos sepultados.


Suporte para caixões. Foto: Adriana Vicente

Figura de Jó. Foto: Adriana Vicente

Com 16 ataúdes ocupados, a Cripta possui espaço para outros pontífices. Os primeiros a ocupar seus lugares vieram de Portugal. No primeiro túmulo encontra-se Dom Duarte Leopoldo e Silva, o primeiro arcebispo de São Paulo, que deu início à construção da Catedral, falecendo em 1938; no segundo, Dom José Gaspar de Fonseca e Silva, segundo arcebispo, que faleceu em 1943.

O mais 'recente' na Cripta é Dom José Túlia, bispo auxiliar de São Paulo, que faleceu em 1992. Na cripta estão também os restos mortais do padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão, inventor do aeróstato (um tipo de balão), que faleceu na Espanha em 1724, mas que só teve seu corpo transferido para o Brasil em 2004. Os bispos enterrados são todos de São Paulo, e algumas câmaras possuem escritas totalmente em latim.


Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão. Foto: Adriana Vicente

                                   
Mas engana-se quem acha que o Sepulcro serve somente para guardar restos mortais. São realizadas também missas mortuárias de padres e bispos, com capacidade para cinquenta pessoas sentadas, que é a média de visitantes do local, seja diariamente ou em excursões de ônibus fretado. Segundo Vera, a maioria dos visitantes são estrangeiros, mas a cripta também recebe excursões de escolas: "Hoje eu peguei bastante americano, português e italiano. Tem mais estrangeiro do que brasileiro", afirma.

Muitos praticantes de outras religiões também frequentam a Cripta, como indianos, monges, hindus e budistas. A língua diferente não é um problema, pois Vera consegue se comunicar um pouco em inglês, e geralmente os turistas de países com línguas mais difíceis, como os poloneses e alemães, levam tradutores, então o idioma não se torna um problema.

A visita tem duração de 30 minutos, entre os horários das 10h às 17h30, sem quantidade mínima de visitantes. Fotos são permitidas somente em algumas ocasiões, quando o número de visitantes por vez é pequeno, como foi o meu caso. As visitas ocorrem todos os dias, exceto às segundas-feiras e no último domingo de cada mês. Todos os visitantes ganham um folheto com a história e detalhes da Catedral e um ingresso para acesso à Cripta, que serve também de lembrança.

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