sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

A religiosidade Celta

O povo celta, assim como toda civilização, tinha suas crenças, sempre baseadas no espírito da natureza, a Grande Mãe, protetora de tudo e todos, conhecida pela triplicidade Donzela, Mãe e Anciã. Possivelmente a associação cristã de "Pai, Filho e Espírito Santo" tenha partido dessa definição celta. Também acreditavam na reencarnação e no conceito de vida após a morte, pois tudo era visto como um processo cíclico de vida, morte e renascimento.  Por esse motivo, os celtas podem ser considerados precursores do kardecismo como conhecemos hoje, de acordo com pesquisas de historiadores, pois são a única civilização antiga que acreditava nesse conceito.  A religião celta é uma das mais antigas do mundo, conhecida também por seus praticantes como a Antiga Religião (Old Religion).


O princípio feminino

Os celtas viam na mulher uma imagem de sacralidade pois, naquela época, os homens que sangravam em batalha geralmente morriam e as mulheres, que sangravam todo mês, continuavam vivas e fortes. Como eles não sabiam a origem do sangramento e muito menos o que era menstruação, viam a mulher como um ser sagrado. O respeito ao feminino era algo muito presente e natural.

Os mistérios da procriação também eram um mito. Os homens ainda não tinham associado o ato sexual à gravidez e por isso acreditavam que a concepção era algo recebido diretamente dos Deuses, que eram responsáveis pelas estações do ano e controle da Natureza.





A Deusa Mãe que habita tudo e todos

Todas as coisas eram vistas como algo divino, desde as árvores até fontes, rios e pântanos. Assim como os vikings, os celtas também acreditavam que havia uma árvore que sustentava o mundo, onde os deuses se reuniam anualmente.

As árvores representavam a ligação entre o céu e a terra, masculino e feminino. Os bosques e florestas eram considerados lugares sagrados, bem como a água, que era a fonte de toda a vida. Rios, cachoeiras e mares eram considerados morada da Deusa e entrada para o outro mundo. A magia, rituais e encantamentos eram coisas tão naturais que faziam parte da vida cotidiana desse povo. Costumavam associar também as deidades e entidades de Tír na nÓg com alguns animais, principalmente pássaros e cervos.

Representação de árvore celta

Havia também os Tuatha de Danann, ou filhos da Deusa Danu. Muitos irlandeses acreditam que são descendentes desses povos. (escreverei sobre os Tuatha em breve). Dentro do conceito de religiosidade celta havia também o Druidismo. Como o nome diz, era a religião dos Druidas, com basicamente os mesmos princípios das crenças celtas.

Os celtas praticavam os rituais de conexão com a natureza, chamados Sabbats, que são uma série de rituais onde celebram os períodos do ano, de forma a manter sempre o contato e equilíbrio com a natureza, e os Esbats, que são rituais dedicados à Deusa Mãe, sempre na lua Cheia, comemorado a cada 28 dias. Na próxima postagem, sobre a Wicca, vou explicar quais eram os oito sabbats (o texto ficaria muito longo se eu postasse tudo aqui).

Como a religião era baseada nos elementos da natureza (fogo, ar, terra e água), tudo era habitado por seres invisíveis, e cada elemento pertencia a um grupo especial de entidades, chamados de Elementais (também vou escrever mais sobre eles futuramente). Os Gnomos e Duendes são os elementais da terra, os Silfos e Fadas os elementais do ar, as Ondinas os da água e as Salamandras os elementais do fogo. Era comum a prática de rituais de conexão com os elementais, que estavam por toda a parte. Acreditava-se que algumas pedras eram moradas das fadas, e quando estavam marcadas era porque as fadas passaram a noite dançando.

Tír na nÓg - O Outro Mundo  

Chamado de Tír na nÓg, Terra da Eterna Juventude ou Summerland, era o local onde os deuses habitavam, junto com os espíritos dos ancestrais e criaturas encantadas, e onde os celtas acreditavam que iam após a morte. Nesse local não existia dor, fome e doenças, somente alegria e beleza. Não existia o conceito de Inferno cristão, tampouco um lugar para as almas aflitas e demônios. Para os celtas, Tír na nÓg não era um "universo paralelo", e sim uma terra em alguma região distante. 



 Divindades celtas

Os deuses eram responsáveis pelas estações do ano, fertilidade da terra e animais, água, solo, chuvas, etc. Não honrar os deuses era como se fosse um insulto a eles, por isso a prática dos Sabbats era tão importante.
O panteão de deuses e deusas celtas é bem extenso e muitos recebem nomes diversos, de acordo com a região onde são cultuados (com exceção de Morgana e Merlin, que, mesmo listados, não eram considerados propriamente deuses). Abaixo, os mais famosos:

Abnoba:
Deusa da Floresta Negra, local de muitas ervas terapêuticas. A etimologia de seu nome está associada à "umidade" ou "rio".

Aine:
Deusa irlandesa da terra e do Sol, sendo associada ao Solstício de Verão. Costuma ser retratada como uma Fada Rainha e seu nome significa prazer, alegria e esplendor. Também é considerada como um dos aspectos da Deusa Mãe. Rainha dos reinos encantados, Deusa  do amor, da fertilidade e do desejo. Segundo a tradição celta, Aine ajudava os viajantes perdidos nos bosques irlandeses. Para chamá-la bastava bater três vezes no tronco de uma árvore com flores brancas.

Andrasta:
Deusa guerreira, invocada para conseguir coragem, segurança, boa sorte e vitória em uma batalha.

Arduina:
Deusa de Ardennes, é identificada pelos romanos como Diana. Cuida dos caçadores e da caça, mantendo o equilíbrio nas florestas. É associada ao animal de poder pela sua natureza selvagem.

Airmid:
Uma Tuatha de Danann, é a Deusa da cura. Uma das lendas dessa deusa nos conta que tudo começou quando ela foi ao castelo do rei Nuada. Os portões do castelo eram guardados por um homem caolho que tinha um gato escondido em sua capa. Quando Airmid e seu irmão Miach chegaram ao castelo e se apresentaram como curandeiros, o homem lhes pediu que lhe reconstituíssem o olho perdido. Airmid e Miach então transplantaram o olho do gato para a órbita vazia do homem, mas não conseguiram  fazer com que o olho do animal perdesse suas propriedades. Sendo assim, à noite, ele ficava aberto em busca de caça e durante o dia ele se fechava, cansado. Mesmo assim o homem ficou muito feliz em ter seu olho de volta.

Cliodna:
Deusa da beleza, amor, cura e morte. Preside o outro mundo, onde a doença e a velhice não existem. Segundo algumas lendas celtas, Manannan, Rei do Mar, se apaixonou por Cliodna e mandou uma onda mágica trazê-la para seu palácio submarino. Acredita-se que Cliodna está viva em cada nona onda que se quebra nos penhascos irlandeses. Hoje, Cliodna é uma Rainha-fada e deixou seu palácio sob as águas no Lago Dearg para viver na cidade de Cork, onde costuma levar casais apaixonados para seu reino das fadas, do qual eles nunca retornam.

Deusa Branca da Lua: 
Chamada de Grande Mãe ou Grande Dama, é a força que mantém a criação do Universo. É representada pela Lua, que influencia as marés e as colheitas em suas diversas fases.

Angus Mac Og: 
Proveniente da Irlanda é o deus da juventude, do amor e da beleza. Seu nome significa "jovem filho". Possuía um palácio de fadas nas margens do Boyne. Seus beijos transformavam-se em pássaros que voavam levando mensagens de amor. Tinha uma harpa de ouro cuja música era irresistível, tamanha sua doçura.

Dana: 
Deusa Irlandesa da fartura e abundância, guardiã do gado e da saúde, conhecida também como a Deusa Terra. Suas sacerdotisas levavam conforto aos que estavam à beira da morte. Conhecida pelos nomes Anu, Danu, Anann, Dana-na.

Arawn:
Divindade de Gales, foi transformado pelo cristianismo no Rei do Inferno, do submundo, reino dos mortos. Seu reino é uma parte do submundo, um lugar agradável para onde vão as pessoas que completaram sua missão.

Arianrhod: 
Deusa Galesa que influencia a beleza, fertilidade e reencarnação, conhecida também como Roda de Prata e Grande Mãe Frutuosa. Seus rituais devem ser realizados na Lua Cheia. Algumas lendas retratam essa deusa como uma divindade hostil, enquanto outras, mais antigas, a retratam como uma deusa da Lua que deu origem ao mar e ao Sol.

Badb Catha:
Deusa da Irlanda, lembrada como "Fervente". É o aspecto da mãe na Tríplice Deusa. Concede vida, sabedoria, iluminação e inspiração. Está ligada às gralhas, ao caldeirão e aos corvos.

Belenos:
Deus do Sol e do fogo na Irlanda, muito ligado aos druidas. Exerce influência sobre a ciência, a cura, o fogo, o sucesso, a fama, a prosperidade, a colheita, o gado, a fertilidade e a purificação.

Blodeuwedd:
Virgem dos lírios das antigas cerimônias do povo celta. É o aspecto da donzela da tríplice Deusa e seus símbolos eram a coruja e as flores. Exerce influência sobre os mistérios da lua, as iniciações, as flores e a sabedoria.

Brigit: 
Deusa tríplice associada ao Sabbat Imbolc, conhecida na Irlanda, Espanha, França e Gales. Influencia as artes e ofícios femininos, a cura, os médicos, a agricultura, fertilidade, inspiração, aprendizado, poesia, profecia, amor, feitiçaria, sabedoria oculta e adivinhação.

Representação do deus Cernunnos
Cernunnos: 
Consorte da Deusa, é o deus da natureza, fertilidade, mundo subterrâneo e plano astral. Era representado com chifres de veado, sentado na posição de lótus e nu. Após o cristianismo, passou a ser confundido com o Diabo cristão.

Ceridwen: 
Deusa de Gales, domina a morte, fertilidade, inspiração, magia, ciência, astrologia, regeneração, ervas, conhecimento, poesia e os encantamentos. É considerada a Senhora da Lua.

Deusa Ceridwen
Dama Branca: 
Deusa dríade da morte. É o aspecto da anciã na Tríplice Deusa. Domina a morte, aniquilação e destruição.

Dana: 
Deusa da prosperidade, magia, fartura e sabedoria. Patrona dos feiticeiros, rios, águas e poços. É  a principal deusa mãe na Irlanda. Na Ibéria, Dana é a divindade suprema do panteão celta e é considerada a senhora da luz e do fogo. Mantenedora da segurança material, ela dava proteção e justiça.

Dagda
Deus da abundância e da cura. Possuia um caldeirão encantado que nunca esvaziava, e quem dele se alimentava ficava satisfeito. O caldeirão possuia também poderes de regeneração e podia ressuscitar os mortos.

Druantia:
Exerce influência sobre a criatividade, fertilidade, paixão, atividades sexuais, o conhecimento e as árvores. era a rainha dos Druidas, conhecida também como deusa Fir. Na mitologia britânica era a deusa do nascimento, sabedoria e morte.

Epona:
Influencia a maternidade, fertilidade, criação dos cavalos, prosperidade, curas e colheitas. Protege os cavalos e cães. Chamada "A Cavaleira" ou "A Amazona", é retratada sempre a cavalo, sentada de lado, como as antigas amazonas. Influencia também a fecundidade do solo, fertilizando pelas águas.

Gwydion:
Deus de Gales, era irmão de Arianrhod. Bardo das terras do Norte de Gales, era também feiticeiro. Influencia a visão, a magia, o céu, as curas e as mudanças. Seu símbolo era um cavalo branco.
 
Lugh: 
Deus da magia, viagens, artes marciais, reencarnação, guerra, relâmpago, água, artes e ofícios. Um deus herói, simbolizado pelo Sol. Em Gales seu símbolo era um veado branco, mas os corvos também são associados a ele. O Lughnashad é um festival em sua homenagem. Era carpinteiro, pedreiro, ferreiro, harpista, poeta, druida, médico e ourives. Ajuda poetas, ferreiros, músicos, historiadores, harpistas e feiticeiros.

Deus Lugh
Merlin:
Antigas tradições de Gales viam Merlin como um selvagem que vivia nos bosques com o dom da profecia. Segundo as lendas, teria aprendido tudo o que sabe com a Deusa, que assumiria diversos nomes e formas, como Morgana, Nimue, Dama do Lago e Fada Rainha. Exerce domínio sobre a ilusão, as ervas, as curas, as mudanças de forma, os bosques e a natureza. Confere proteção, aconselhamento, profecia, adivinhação, previsões, leituras com oráculos, rituais, feitiços e encantamentos. Protetor dos ferreiros e artesãos. Não é considerado necessariamente um deus.

Morgana: 
Deusa tríplice da morte, da ressurreição e nascimento, muito popular nas lendas Arturianas. É uma jovem donzela, uma vigorosa mãe criadora ou uma bruxa portadora da morte. Sua comunidade consta de um total de nove sacerdotisas que, nos tempos romanos, habitavam ma ilha diante das costas da Bretanha, chamada Avalon. Também é conhecida como Fada Morgana. Morgana é muitas vezes associada somente com a história da lenda, não necessariamente sendo considerada deusa, mas sim uma sacerdotisa sagrada.

Rosmerta:
Deusa da mitologia celta gaulesa, conhecida como deusa do fogo, calor, prosperidade e abundância.

Morrigan: 
Deusa dos lagos, rios e água fresca, patrona das sacerdotisas e das feiticeiras. Cultuada na Irlanda, Grã-Bretanha e Gales, era conhecida como a Grande Rainha e a Deusa Suprema da Guerra, Reinava sob os campos de batalha e tinha o poder de mudar de forma. Outra deusa que representa o aspecto idoso da deusa Tríplice. Seu lado obscuro era representado pelo corvo e pela gralha. Em seu aspecto positivo, é a deusa doa lagos, rios e água fresca, patrona das sacerdotisas e das feiticeiras. Domina a vingança, a profecia, a noite e a magia.

Rhiannon:
Deusa dos cavalos e aves, dominava os encantamentos, a fertilidade e o submundo. Sua montaria é um cavalo branco muito rápido.

Taliesin:
Deus poeta, patrono dos bardos, menestréis, feiticeiros e druidas. Tem o poder de mudar de forma e domina a escrita, a poesia, a sabedoria, a música, o conhecimento e a magia. Originário de Gales.

Scath:
Deusa do submundo, da escuridão, aspecto destruidor da Mãe Senhora. Seu nome quer dizer A sombra, aquela que combate o medo. Era uma mulher guerreira e profetisa que viveu em Albion, na Escócia. Patrona dos ferreiros, curas, magia, profecia e artes marciais.


Fonte: 
Wicca n° 60 - Magia Celta. Eddie Van Feu, editora Modus, 2011.
Sabedoria e Magia dos Celtas – Princípios do Druidismo, Ana Elizabeth Cavalcanti da Costa, Editora Berkana, 2003. 
Bruxas, Lady Mirian Black, EditoraÍcone2012.
Wicca Essencial, Paul Tuitéan e EstelleDaniels, Editora Pensamento, 2001


Próxima postagem: Wicca - a religião da Grande Mãe.

Um comentário:

  1. Finalmente te encontrei eeeeeba, por favor Adriana entra em contato comigo, é importante. e-mail filiidei0711@hotmail.com

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