quinta-feira, 5 de junho de 2014

Cavaleiros Templários

Como prometido, hoje falarei sobre os Cavaleiros Templários, uma das maiores sociedades cristãs que foi dizimada cruelmente pelo papa Clemente V, acusados de heresia. Suas roupas brancas com cruzes vermelhas junto com suas fortes armaduras fizeram destes homens grandes guerreiros e soldados imortalizados no nosso imaginário. 

Os templários tiveram por objetivo propagar a fé cristã e defendê-la, retomando as terras de Jerusalém dos muçulmanos, usando a força se fosse necessário. A história desses cavaleiros surge por volta de 1118, na Idade Média, e durou cerca de de dois séculos.


Os Cavaleiros fizeram votos de pobreza e castidade (como muitos padres na época), tornando-se monges;  o sucesso da ordem esteve vinculado diretamente às Cruzadas. A rotina deles basicamente era fazer diversas orações ao longo do dia, além de, em datas pré estabelecidas, abster-se de carne e realizar o jejum. Era proibido fazer a barba, caçar (leões eram permitidos), possuir mais de 3 cavalos (o grão-mestre podia ter 4) e, principalmente, ter qualquer contato com mulheres, pois acreditavam que elas eram a personificação do Diabo e os levariam à perdição(????). Também deveriam dormir de botas e calças, para sempre estarem prontos caso precisassem lutar, mas diz a lenda que a calça também servia para impedir que os Cavaleiros fornicassem entre eles, devido à abstinência de mulheres.

Eram rígidos nas batalhas. O companheiro que fosse capturado, provavelmente morreria, pois a ordem não fazia resgates e nem pagava quantias para que fosem libertados. Aquele que saísse da linha poderia ser açoitado, obrigado a comer comida no chão com os cachorros durante um ano ou ser queimado com ferro. Além disso, os segredos da ordem não podiam ser revelados fora do mosteiro, o que acabou prejudicando a ordem, pois isso deu o gancho necessário para que muitos padres e poderosos da época dissessem que os cavaleiros participavam de rituais pagãos em culto a Baphomet.

O emblema dos templários era um cavalo com dois cavaleiros, simbolizando a pobreza e a fraternidade. Sua bandeira era branco e preto e era chamada de Beauseant, uma clara homenagem aos cavalos malhados, prediletos pelos fundadores da ordem. Beauseant também era seu grito de guerra.

A Ordem dos Cavaleiros Templários foi fundada em 1118, por um cavaleiro francês, Hugo de Payens, junto com oito companheiros e o rei francês Balduíno II, após as Cruzadas, com o objetivo de proteger os fiéis que iam até Jerusalém de ataques e dos muçulmanos. O rei deu aos Cavaleiros como residência parte do que ele julgava ser o Templo de Salomão, e é dai que surge o nome Templários. Depois de aprovada pelo papa Honório em 1128, a ordem ganhou força e tornou-se poderosa, crescendo rapidamente.

Seu número de membros também cresceu significativamente. O crescimento rápido da ordem foi devido vinculação direta à igreja católica, muito poderosa na época, e de sua força militar. Além de religiosos, os cavaleiros eram ótimos guerreiros. A influência da ordem foi tão grande que em 1139 o papa Inocêncio II assinou um documento onde declarou que os Cavaleiros Templários não obedeciam a nenhuma ordem do estado, somente ao Papa.


       

A iniciação Templária

No topo da hierarquia dos templários havia o grão mestre. Abaixo dele, um grão principal chefiava os diversos grupos da ordem espalhados, chamados capítulos. Rapazes de famílias nobres eram recrutados e formavam o corpo de oficiais da ordem (os mantos brancos com a cruz). Quem não tinha títulos e vinha de família pobre formava uma segunda linha de soldados, chamada de Irmãos Servidores e, diferente dos Templários, usavam mantos castanhos ou negros. Abaixo deles, vinham os escalões inferiores ou escudeiros, atendentes e serviçais que cuidavam das propriedades e castelos dos cavaleiros.

A iniciação era realizada na casa de quem iniciaria um novo cavaleiro. Era extremamente e altamente secreta e era realizada de madrugada (quando todos estavam dormindo), o que gerou muitas especulações sobre o que realmente acontecia lá dentro. O grão prior fazia várias vezes a mesma pergunta, se os cavaleiros ali reunidos tinham qualquer objeção à entrada de um novo membro. Se ninguém se opusesse, o grão prior prosseguia na cerimônia, deixando claras as regras para o novo cavaleiro. Perguntava se o cavaleiro tinha esposa e/ou família, dívidas, doenças ou se devia vassalagem a algum senhor. Se a resposta fosse não para todas as perguntas, então, o cavaleiro se ajoelhava e pedia para ser um "servidor e escravo" do Templo e jurava obediência em nome de Deus e de Virgem Maria. Então, o manto branco era posto sobre seus ombros e ele era recebido como um novo membro da ordem.

Os Templários foram isentos de pagar impostos e, com isso, foram acumulando bens e riquezas. Com o passar dos anos, a ordem ficou muito poderosa e rica, recebendo, inclusive, doações de terras na Europa. Ganharam também poder político, militar e econômico, o que acabou permitindo estabelecer uma rede de grande influência no continente. A ordem, que se chamava inicialmente Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão surpreendeu muita gente quando todos descobriram suas riquezas. Era estranho homens que fizeram votos de pobreza serem tão ricos agora. Os Templários praticamente inventaram o cheque e o banco!! Como assim?! Pois é, os Cavaleiros estavam sempre indo para o Oriente e, no caminho, ninguém ousava rouba-los. Então, muitos nobres preocupados com suas fortunas quando viajavam, pediam aos Templários que carregassem seu dinheiro com segurança. Óbvio que existia um pagamento, os Templários ficavam sempre com mais ou menos 10% da quantia.

Eles também forneciam aos nobres uma espécie de recibo, dizendo que eles poderiam 'sacar' uma determinada quantidade de dinheiro no Templo de outra cidade. Com o dinheiro ganhado, eles passaram também a emprestar dinheiro para nobres em dificuldades (e o pagamento era feito com juros). E, assim, eles foram enriquecendo, enriquecendo.. Até que despertaram a ira de algumas pessoas (O que, consequentemente, causou o fim da ordem). Com a grande riqueza dos Templários, muitos conspiraram para que a ordem tivesse um fim.

Fim da Ordem  

Um desses conspiradores era o Rei Filipe, o belo, que era também um dos maiores devedores dos Templários. Fez muitas dívidas e, junto com o Papa Clemente V, planejou destruir a ordem porque, afinal, não existe dívida se o credor não existir. Os dois planejaram a destruição do Templo. No dia 13 de agosto de 1307, uma sexta-feira (muitos acreditam que a origem dos azares da sexta-feira 13 vêm dessa data), todos os Templários foram acusados de heresia por Filipe IV, e suas prisões foram decretadas. A justificativa era a de que os Cavaleiros cultuavam Baphomet (figura abaixo - Em breve um post dedicado a ele) e adoravam o diabo em seus rituais secretos (lembra que mencionei que os rituais super sigilosos acabariam por despertar curiosidade e imaginação em muitas pessoas?!).

Baphomet

Um mês depois, o Papa Clemente V autorizou o rei a prender todos os Templários, tomando posse de suas propriedades (esperto esse Papa não?!). Após as prisões, começou o julgamento (a base de tortura, como a Inquisição) e, apenas um mês depois, mais de 36 soldados haviam morrido, vítimas de torturas para se chegar à "verdade". Imagino que as torturas eram realmente pesadas, porque se eles eram guerreiros de batalha não morreriam por simples machucados.  Na época, a forma mais tradicional de tortura era a mesa esticadora (foto abaixo), que puxava a pessoa pelos membros, aliviava um pouco e puxava de novo, rompendo tendões nos pulsos e pés.

Mesa Esticadora

Três anos depois, em 1310, 54 cavaleiros foram queimados na fogueira. Depois que a poeira abaixou, o próprio Papa Clemente V admitiu que não havia provas de heresia, apenas suposições, mas mesmo assim os Cavaleiros continuaram sendo perseguidos. Sendo pressionado pelo rei, o Papa acabou ordenando a dissolução da Ordem.

Com o fim da Ordem, os templários que sobreviveram poderiam escolher entre se juntar a outra ordem ou voltar à vida normal. O último grão mestre dos cavaleiros, Jaccques de Molay, não teve essa sorte. Quando foi para julgamento, sob tortura, não disse o que 'queriam ouvir', alegando que todos os cavaleiros eram inocentes. Acabou indo para a fogueira. Em 18 de março de 1314, entre as chamas, amaldiçoou o Papa Clemente V e o rei Filipe IV, dizendo que os veria em um julgamento justo. Disse que, se os templários tivessem sido injustamente condenados, o Papa Clemente seria convocado em 40 dias e o rei Filipe em no máximo um ano, para o julgamento de Deus.

Magia Templária: Coincidência ou verdade?*

O mais curioso dessa maldição dita por Jaccques de Molay é que ela realmente aconteceu e o Papa Clemente e o rei Filipe acabaram morrendo dentro do tempo previsto. A imagem a seguir é intrigante e foi descoberta desenhada nas paredes das masmorras onde 50 templários foram aprisionados e onde muitos foram mortos sob tortura. Durante sete dias consecutivos, sete templários se revezavam diante desse desenho, amaldiçoando o Papa Clemente V.  Nessa imagem, vemos uma espécie de serpente (que mais parece um dragão, os Templários não eram muito bons no desenho!), que representa a energia telúrica (energia negativa e destruidora da Terra), e em seu ventre está escrito "Clemente V, o destruidor do Templo" (provavelmente no idioma dos Templários, porque desconheço esse alfabeto).

A impressão é de que a serpente está em chamas e pronto para devorá-lo. Os atributos papais estão invertidos nas suas mãos e o Anjo Vingador (São Miguel) espeta sua lança na serpente para atiçá-la . À esquerda, o desenho da cruz templária serve como um selo para fechar o feitiço (a maldição). Mesmo o desenho não sendo lá aquelas coisas, por incrível que pareça, funcionou! Depois de 33 dias de sofrimento, o Papa morreu de uma doença misteriosa. Em menos de um ano, o rei Filipe também morreu, atacado por um javali. Ambos foram atormentados por terríveis visões, além de dores indescritíveis. Me parece muita coincidência para ser mentira. 



A ordem durou "apenas" dois séculos e, depois de perder algumas batalhas, começaram também a perder o status. Muitos mitos cercavam os templários, como o de que eles protegiam alguma relíquia sagrada, que, se revelada, poderia por fim a toda Igreja Católica, como o Santo Graal ou o próprio corpo de Maria Madalena. Também existem teorias de que os Templários possuem relação direta com a maçonaria.




* Trechos e figura extraídos do livro "Wicca - Mistérios do Passado: Os druidas e os Templários", Eddie Van Feu, Editora Modus.

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